A DESCENDÊNCIA MATRIARCAL
Nosso terreiro descende diretamente do Zoogodo Bogum Beji Hundó, filial carioca do Zoogodo Bogum Malê Hundó de Salvador.
À frente desse importante terreiro carioca está a carismática figura de Gayaku Margarida de Yemanjá, atualmente (2024) com 57 anos de iniciação, e uma das grandes damas do candomblé fluminense, com centenas de filhos e filhas iniciadas.
Este terreiro, localizado desde sua fundação no bairro de São Mateus, município de São João de Meriti, se liga diretamente a casa matriz de Salvador no ano de 1992, já tendo 20 anos de existência e sempre dedicado ao culto Jeje Nagô. Foi Doné Nicinha do Vodun Loko que presidiu os preceitos religiosos de transição do terreiro para os rituais do Bogum de Salvador
POVOS ORIGINÁRIOS & COMUNIDADES TRADICIONAIS
Podemos dizer que a CULTURA de um povo consiste em seus comportamentos, saberes, fazeres, alimentação, música, religião, vestes, língua, para citar alguns de muitos aspectos.
Quando falamos de povos originários e comunidades tradicionais, estamos nos referindo a grupos que existem há muito, muito tempo e que sobrevivem através de sua descendência; de alguma forma mantem-se as tradições, saberes e fazeres dos que vieram antes,
Naturalmente, existem mudanças, mas também existe um algo ali que os faz (que nos faz) ser quem somos. Os hábitos e costumes das comunidades tradicionais africanas, como por exemplo quilombos e terreiros, vão muito além da religiosidade. Nós pensamos, nos vestimos, nos alimentamos e temos inclusive um vocabulário diferente.
São exemplos de povos originários em nosso País os indígenas em suas diferentes etnias e são exemplos de comunidades tradicionais os quilombolas, terreiros, pescadores, marisqueiras e ciganos dentre muitos outros.
Nós, representantes de uma das comunidades tradicionais, nos juntamos aos representantes dos povos originários, resistindo ao constante movimento de apropriação cultural; de ocupação territorial; ao garimpo ilegal, ao desmatamento ou ainda a exploração desenfreada da fauna, flora e recursos hídricos. Nós re-existimos ao extermínio !
Nós queremos a preservação de nossos territórios; a manutenção da biodiversidade e o respeito a diversidade cultural, étnica e racial. Somos chamados de “atrasados” mas não matamos e nem oprimimos os nossos diferentes !
Somos plurais diversos e adeptos da liberdade.
Que sejamos UBUNTU e que o respeito a todas as existências seja costume em nosso planeta.